“Afoleirar”

afoleirar

Tudo começa com a primeira ecografia… Aquela que só se vê um pontinho e tu  mostras ao mundo inteiro, aquela que tu carregas para todo o lado e que se não estiver contigo já está no telemóvel com péssima resolução mas que dá para fazer zoom até chegar ao pixel que é o teu filho, aquela que serve perfeitamente para primeiro tópico de conversa. Sim é o início do “afoleirar”.

Já na maternidade o meu olhar ficou preso àquele ser pequeno, acabado de nascer. Fiquei literalmente a olhar para o Mateus a noite inteira. Na hora de avisar as pessoas mais próximas, as palavras “O Mateus já nasceu” ficaram presas na minha garganta. Liguei ao meu pai e estava demasiado emocionado para falar. Felizmente , ele percebeu.

Quando o primeiro filho nasce, tornas-te imediatamente uma pessoa mais emocional. Quer já o fosses ou não, há sem dúvida um “arrebitar” dos sentimentos, da emoção. A saudade é uma palavra que passa a fazer parte do teu dia-a-dia. Sinto saudades do Mateus a toda a hora, um sentimento algo estranho para mim especialmente se tiver em conta que obviamente estou com ele todos os dias.

E depois voltam aqueles comportamentos foleiros em que todos os pais vão inevitavelmente cair. As temidas fotos do telemóvel… A infinita vontade de mostrar o teu filho aos teus amigos, cada pequeno marco na vida dele, como se tivesse uma importância extrema para pessoas que não tu e a tua família. Não tem, claro. À primeira fotografia, tudo muito giro. “É um bebé lindo, que idade tem? Vê-se que sai à mãe/pai/avó…”, as perguntas e afirmações da praxe. Depois da 10ª fotografia, aquele olhar reprovador do teu amigo que gosta muito de ti e do teu filho, mas que já não aguenta ter de saber cada pormenor da sua vida.

E as conversas de café/corredor que podem ser de uma hora ou de 5 segundos e tu arranjas maneira de introduzir o tema “nem sabes o que o Mateus fez ontem”… E até o tentas fazer de uma forma cool e descontraída mas o tema será sempre o teu filho recém-nascido.

Ainda assim não levemos o ao exagero:

ALERTA: se queres saber se já afoleiraste demais repara se usas DIMINUTOS, por exemplo: Já mudaste a fraldinha do cocozinho ao Mateuzinhos?

4 Comment

  1. Olá!
    O amor tem destas coisas e o amor que se sente por um filho é o amor mais puro, incondicional e eterno que pode existir.
    Agora o teu coração vai estar sempre aberto e em modo manteiga: basta um momento de calor e derrete-se logo e ao longo da tua vida vai ganhando “layers” de sentimentos.
    Desta vez foi a camada afoleirar mas prepara-te… mais virão! ^^

    Beijinhos
    Eva

  2. Filipa Tavares says: Responder

    Olá Diogo,
    Eu não tenho filhos mas compreendo a situação. Eu adotei uma gata linda, há 8 anos atrás e ela agora vive só com os meus pais, mas eu falo dela com muito orgulho, afinal foi o primeiro animal de estimação que não está em gaiola(tive um hamster panda). E já afoleirei muito a falar da Tecas, e a mostrar fotos das várias posições que ela dormia, videos dela a brincar, e as pessoas já nem me ligavam muito ao fim de dois minutos.
    É tão bom sentir orgulho em quem amamos.
    Gosto muito das publicações de fotos que fazes no facebook e no teu blog. Obrigada pelo teu trabalho.
    Beijinhos à família amarela. =)

  3. Confesso que antes de ser mãe não tinha muita paciência para conversas sobre miúdos, até porque nunca me interessei particularmente por crianças.
    Depois de ser mãe, tudo mudou. Claro que afoleiro e muito. 😀 Mas, geralmente, falo sem parar sobre todas as coisas super normais que as minhas filhas fazem (e que eu acho fantásticas e dignas de um mini Einstein) com o pai delas ou então no blogue onde dou largas à minha enorme vontade de falar delas. Assim aproveito, também, para deixar as histórias delas registadas para as minhas filhas lerem mais tarde.

  4. Lara says: Responder

    😂 tal e qual

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