Explicar o Inexplicável

Hoje acordei e, como a maioria das pessoas, fiquei mais uma vez chocado com as notícias. Sendo este um blog directamente ligado ao universo das crianças, ainda que na perspectiva de um pai que está a aprender a sê-lo, parece-me relevante, digo, imperativo, abordar um tema que se coloca nestas situações.

O Mateus ainda é muito pequeno e, por isso, não se apercebeu de nada. Mas sei que, mais cedo ou mais tarde, ele vai ouvir uma notícia deste género e vai pedir explicações. E como se fala destes temas com uma criança? Até que pontos explicamos o que se passa no mundo? O que dizemos e o que deixamos de fora? Somos claros e objectivos, ou pintamos a situação numa luz mais positiva (se é que isso é possível)?

Estas dúvidas assombram-me enquanto pai. O instinto é, claro, proteger o meu filho de todo o mal, mas sei que isso não é possível, muito menos no mundo de hoje em dia em que até os vídeos do próprio atentado passam na televisão, às 8 da manhã. Um dia, o Mateus vai querer perceber. E nesse dia, eu quero estar preparado.

Acredito que possam existir várias abordagens a este  tema, todas elas válidas. Optei por recorrer a duas psicólogas e conversar com elas tentando perceber como se explica a uma criança o inexplicável.

Ficam algumas respostas da Dra. Margarida Godinho, psicóloga e psicoterapeuta.

Quais os maiores perigos para a criança, quando a abordagem destas questões não é feita da melhor maneira?

Se não forem faladas, há o risco de haver algumas perturbações no desenvolvimento emocional da criança. Algum trauma, alguma ideia que fique e que esteja relacionada com estas questões da violência, pode depois ter repercussões mais tarde.

Com que idade é que devemos ter esta conversa com as crianças?

Quando as crianças entram para o 1º ciclo começam a ter muito mais contacto com a toda a informação que é divulgada nos media, pelo que a partir daí há muito mais “perigo” de terem contacto  com estas imagens e informações, que podem ser traumáticas se não forem explicadas e contextualizadas correctamente.

É importante que sejam informadas e que lhes seja explicado, protegendo sempre das imagens mais chocantes. Os temas da violência devem ser sempre explicados no sentido de uma contextualização do que é o bem e o mal, e do respeito pelo outro e das diferenças do outro.

Nesse sentido, mais ou menos pelos 5/6 anos, as crianças já têm mais contacto com estas questões e por isso nessa idade é importante começar a introduzir este tipo de assuntos. Com a linguagem adequada mas sempre explicando à criança que somos todos diferentes e que devemos respeitar aos outros e não devemos impôr o nosso pensamento ao outro. O mundo é mais giro e mais interessante se houver essa diferença.

Se a criança não fizer perguntas sobre o assunto, devemos iniciar nós o tema?

Não faz sentido introduzir assuntos, até pode ser que a criança não tenha tido contacto com a notícia ou situação. A partir de uma certa idade, a questões da violência surgem por si mesmas, vai sempre haver brigas ou algo semelhante na escola. Podemos assim aproveitar essas situações para introduzir o tema do respeito pelo outro, que é muito importante.


Passo agora a palavra à Dra. Sara Carvalho, directora da clínica Yourself Clinic.

  É muito importante explicar a realidade sem mascarar a questão. Estas situações realmente acontecem e temos de explicar o porquê à criança. Devemos, claro, protegê-las das imagens mais chocantes, pois facilmente se criam fantasias à volta disso na mente, e depois ficam muito assustadas. 

Muitas vezes, a criança pode criar algum medo sobre viajar, por isso temos de explicar que estas situações não acontecem a toda a hora e que estarmos em outros países não é perigoso mas que, como em qualquer coisa na vida, temos de estar atentos. 

Outro conselho prende-se com não permitir que estes temas entrem na repetição. Os miúdos são muito susceptíveis a este tipo de comentários e situações, e podem ficar a falar do tema dias a fio. É importante não fingir que não aconteceu, mas também apaziguar de modo a que não se torne assunto central. 

Convém também trabalhar com os miudos na óptica da igualdade, para que não haja racismo e xenofobia. Tem de haver um trabalho preparatório de prevenção que eu acredito que é essencial hoje em dia. A criança tem de perceber que estes actos são realizados por indivíduos singulares, e que não podemos julgar toda uma população ou etnia pelas acções desse indivíduo. 

De um modo geral, o ideal é explicarmos a realidade dos factos sem aligeirar muito mas claro, aligeirando… Ao falarmos com a criança, queremos ser claros e objectivos, mas sem esquecer que se trata de uma criança. 

 

4 Comment

  1. Bruno Pacheco says: Responder

    Infelizmente o Mundo não é só fantasia…ainda há bem pouco tempo passei pela difícil situação de ter de explicar isto aos meus 2 filhos,de 3 e 8 anos
    A imagem do bebé sírio que se afogou e deu à costa na praia…a imagem que permanecerá eternamente na memória dos que dao valor à liberdade,ao amor,ao direito à vida!!!!
    Estes os valores primários na construção da identidade de todo o ser!!!!

  2. Cristina Vares says: Responder

    O meu filho tem 8 anos e opto sempre lhe explicar tudo quando ele pergunta, tem sido assim desde os 4, 5 anos. Se há uma pergunta devemos responder com verdade adaptando a resposta à sua idade. Se ele percebe logo não sei, sei que uns dias depois vem mais umas perguntas e assim o miúdo vai construindo a sua opinião. Na semana passada a pergunta era sobre o que eram barrigas de aluguer… é estranho explicar o que é mas tentamos e no fim ele pergunta “concordas mãe?” e eu lá lhe dei a minha opinião. Acho que ele vai formar a sua. Agora que é difícil é.

  3. 2012. szeptember 11. keddKedves Tibor, igen, köszi, de csak azért hivatkoztuk meg, mert ott volt elÅ‘ször szó errÅ‘l a kevéssé közismert, de nagyon praktikus spanyol fűszerrÅ‘l:“…füstölt pirospaprika keverékébe. Utóbbit szintén már régóta szerettem volna kipróbálni, alig vártam a megfelelÅ‘ alkalmat, hogy kibonthassam. Csak ajánlani tudom. “

  4. ESEPTUANDO LA CAMPAÑA DE LOS CANDIDATOS DEL PARTIDO VERDE, LO DEMAS ES FISICA BASURA, HABLAN COMO SI LE, ESTUBIERAN HABLANDO A UN REBAÑO DE ENAGENADOS MENTALES, UN EJEMPLO LOS DISCURSOS DEL SEÑOR SANTOS, DA COMO EJEMPLO DE PRGRESO EL ECHO DE QUE DE CADA CUATRO COLOMBIANOS UTULISAN FACEBOOK, MAS POBRESA INTELECTUAL NO PUEDE EXISTIR.

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