Das montanhas e dos vales…

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Há qualquer coisa de profundamente meditativo em estar ao ar livre (perdoa-me o cliché mas é verdade). Não é para todos, muito menos quando vivemos na era do “urbano” e do kitsch, mas é um gosto adquirido. Confessamente faço parte daqueles que gostam de caminhadas, o denominado trekking. Reconheço que chamar “trekking” ao acto de caminhar é por si só estranho, um estrangeirismo desengonçado, mas não podia ignorar este facto quando hoje é o Dia Mundial da Montanha. E tal como disse antes, numa década em que cada vez mais aprendemos a estar “ligados” (afinal ,estás a ler o meu blog agora), não posso ignorar a importância de desligar. Caminhar, ver, observar, sem tirar uma selfie a cada 15 metros, sem “taggar” cada recanto, sem actualizar estados com hastags referentes a elementos da natureza. Hoje é Dia Mundial da Montanha e é a caminhar nelas, a caminhar pelos bosques da nossa Sintra, pelas clareiras do nosso Monsanto, que desligo. Que deixo de ser para ser só.

A natureza tornou-se, ela própria, uma hashtag. É bonito gostar-se da Natureza. É bonito seguir-se grupos de Facebook de pessoas que gostam da natureza, é bonito ser follower em instagram com fotos da National Geographic, é bonito ter um screensaver com imagens da aurora boreal, das fiordes da noruega ou das imensidões do Gerez. Mas no Dia Mundial da Montanha, é necessário mais do que isso. É necessário, enquanto profissional, enquanto pai, enquanto homem, reconhecer que preciso tanto dela como preciso de todas as coisas que são preciosas na minha vida.

Sou pai, tenho um filho. Quando olho para o Mateus, pergunto-me se um dia o meu filho vai olhar para fora da janela e ver mais do que cinzento e vidro. Se vai até à montanha, até ao bosque, até à falésia, e vai ver o que o pai agora vê. No Dia Mundial da Montanha, é necessário que cada homem se lembre disso mesmo. Que o filho um dia vai precisar da montanha e do rio, do bosque e do arbusto. Tanto quanto precisa do pai.

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