O corpo é que paga

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Acontece a todos os pais. Especialmente aos “novos” pais. Metemo-nos em situações que imediatamente nos arrependemos. Por exemplo, quando o filho diz:

– Pai, levas-me às cavalitas?

– Claro que sim filho, vamos a isso! – Dois minutos depois estamos a suar em bica enquanto subimos as íngremes ruas de Lisboa ao sol.

Um amigo meu foi pai há 4 anos, mas a ele calhou-lhe uma filha. A aparentemente inocente pergunta  “Pai, brincas comigo?” dá azo a toda uma panóplia de situações caricatas na vida de um homem. Dez minutos depois é vê-lo maquilhado em tons rosa choque com uma tiara na cabeça, no mural de facebook da sua mulher. Não poderia ser de outra maneira.

E depois há o clássico. Criança que é criança descobre uma brincadeira (ou uma história, ou um sítio, ou uma canção, ou qualquer outra coisa) que gosta, e dentro da sua cabeça aposto que surje um letreiro, a piscar em neon vermelho, que diz: REPEAT. REPEAT. REPEAT. Até à exaustação. E facilmente a vida se transforma num GIF interminável, em loop pela eternidade.

Há uns dias, escondi-me atrás duma mesa e, quando o Mateus passou, saltei para a frente dele. Ele adorou. Riu-se imenso e, terminada a gargalhada, voltou ao ponto inicial e esperou que eu saltasse novamente. Pai paciente que sou, assim fiz, pela promessa de mais um momento genuinamente feliz da parte do meu filho. Arrependi-me no momento em que ele voltou ao ponto de partida pela terceira vez. E assim se passou uma hora de riso para o Mateus, e de dores nos joelhos para mim.

Tanto para um pai como para uma mãe, o corpo é que paga. E às vezes paga caro. O que não fazemos pelos nossos filhos? É talvez essa a magia do ser pai, do ser mãe. Saber que há um ser (ou seres) pelos quais somos capazes de tudo, à nossa própria custa. E no fim de contas, nada disso custa absolutamente nada.

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6 Comment

  1. Olá! Como estás?

    Ri-me tanto com este post!
    Confesso: não tenho filhos mas nunca deixei de ser filha, e lembro de uma coisa que fazia tanto a mim como à minha irmã rir. O meu pai safou-se de ser maquilhado mas tinha que me ajudar numa cambalhota muito especial: Colocava-me de costas para o meu pai e à frente dele, dava-lhe as mãos por baixo das pernas e ele agarrava e puxava para cima, fazendo com que déssemos uma cambalhota! Eu e a minha irmã adorávamos! Claro que com o tempo perdeu a piada mas ao ler o teu post apercebi-me que tenho o hábito de, quando gosto de uma música, ouvi-la várias vezes até à próxima que goste… = )
    Acho que a criança em mim ainda anda por ai… = )>

    Obrigada pela partilha!
    Beijokas
    Eva

  2. Adorei 😉 E é bem verdade. Tem muito jeito para a escrita. 🙂 Os seus textos são deliciosos.

    Um beijinho

  3. Sandra says: Responder

    Adoro o breakingdad.pt! Identifico-me imenso nesse post. Muitas vezes fico com uma dores de costas meu Deus 😊

  4. Lara says: Responder

    E quando mos lembramos de uma musica pirosa da nossa infância? Repeat 500 vezes. Um pesadelo… mas delicioso e recheado de gargalhadas.

  5. Raquel says: Responder

    Adorei este post e esta foto (que, para dizer a verdade, nem precisava da nota introdutória). Tenho dois filhos, dois rapazes, um de 5 anos e um de 19 meses, e juro que, telepaticamente, eles combinam “vamos dar cabo da velha!!!”. E eu vou buscar o Voltaren com um sorriso nos lábios.

  6. […] A reacção do Mateus no carrossel foi espectacular… Logo na biheteira, vimos que tinham bilhetes de uma volta e bilhetes com várias voltas, mas pensámos (quanta inocência) que o Mateus se ia fartar rapidamente e por isso comprámos só uma. Erro crasso. Mal o carrossel parou, ele montou o seu lábio inferior e desatou a chorar cheio de lágrimas, como se fosse a maior injustiça do mundo aquela festa já tivesse acabado. Lá foi o paizinho para a fila novamente… A velha história do Néon vermelho, lembras-te? […]

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