Os Meus Medos #1

WhatsApp Image 2017-02-24 at 09.46.19

De repente reparei que ele corria mais rápido do que o habitual. De repente, reparei que ele corria tão rápido que as suas pequenas pernas começaram a não conseguir acompanhar toda aquela liberdade, parecia que ia levantar voo. De repente vi o futuro numa fracção de nanosegundos…

Foi nesse momento que, quase sem pensar, me lancei para o chão com o braço muito esticado e a mão aberta, qual guarda-redes que se atira para defender o penalti que vai decidir o jogo. Para minha frustração e espanto, não serviu de nada. Não consegui defender, a equipa adversária marcou…

Eu, que até àquele momento achava que tinha uma espécie de super poder capaz de amparar e proteger o meu filho de qualquer potencial acidente, percebi que não. Pela primeira vez, vi o meu filho sangrar. Pela primeira vez, o meu filho caiu e abriu o lábio.

Depois do penalti não defendido, peguei no Mateus quase mais rápido que o “Flash”, para ver o que aquele chão cruel e desumano tinham feito ao meu miúdo. Só conseguia via sangue. Claro que imaginei um golpe enorme e minha preocupação saltou para um nível que até tenho vergonha de admitir. Preocupações que um Breaking Dad, com a barba rija como a minha, não devia ter… que estupidez, claro que devia. Faz parte.

A vida é assim mesmo, eu sei… Todos nós temos várias “marcas de guerra” da nossas infância. Na minha altura, os putos coleccionavam cicatrizes como quem colecciona cromos: “olha esta Diogo, esta foi no Verão passado, quando tentei dar um mortal encarpado pela primeira vez… não doeu nada e agora já consigo!!”. Havia sempre uma história ligada a cada marca, às vezes um pouco exagerada quando a contávamos aos amigos… ainda me lembro do orgulho que tinha por cada uma dessas marcas. Lembras-te das tuas?

É a vida, caímos e levantamo-nos. É assim, faz parte do jogo! Apesar de tudo, tenho uma vontade crescente de mandar almofadar o mundo… o que é que achas?

3 Comment

  1. […] pai é um enorme desafio e que o diga Diogo Amaral. No seu blogue – Breaking Dad – o ator descreveu o penoso momento em que não conseguiu impedir que o filho se […]

  2. Luisa Silva says: Responder

    Olá lindo, tu nem imaginas como eu te compreendo, tal como tu eu sei que “cair” faz parte, mas custa tanto ver os nossos pimpolhos a chorar porque se magoaram. O Marco quando tinha 15 meses caiu enquanto brincava com o pai na sala, e deu com com a testa na esquina da mesa de centro, e claro está, abriu a testa, não foi nada de grave mas abriu um bocadinho, e ainda hoje é o dia que quando ele está a dormir eu olho para a cicatriz e lembro me desse dia e da aflição que apanhei.
    Quanto as minhas “marcas de guerra”, nem queiras saber lindo, infelizmente ou até felizmente tenho algumas até bastante significativas principalmente na cabeça, e que ainda hoje são motivo de conversa com muitas gargalhadas á mistura (sabes, eu era uma maria rapaz). Se eu te dissesse como as fiz tu ficavas com os olhos em bico…. Eh!Eh!!!!!!. Mas lá está…faz parte.
    Beijinhos meu lindo.

  3. Olá!
    Ai as marcas de guerra da infância! Dava para contar uma novela… ok, pronto, uma mini-série de 2 episódios… lol
    O sentimento de proteger e de querer almofadar o mundo é perfeitamente normal para um pai, com ou sem barba rija. Isso não vai mudar porque agora o teu coração está mais sensível a essa situações.
    Custou mais a ti do que a ele que, provávelmente já nem se lembra disso.
    As crianças hoje em dias são mais rigas do que cimento. ^^

    Beijinhos
    Eva

Deixe uma resposta