Eu – Puto, Homem e agora Pai

foto diogo

Nasci há 34 anos em Lisboa e passei grande parte da minha vida na icónica freguesia de Carcavelos, entre mergulhos no mar, tardes na esplanada e aulas no colégio. Pode dizer-se que fui um puto beto, por vezes um puto estúpido com uma adolescência feliz mas que mesmo assim fez a vida díficil para a mãe.

Os meus pais separaram-se quando eu tinha 7 anos e desde aí que passei a ser um homem entre mulheres. Vivi com a minha mãe e irmã mais velha, e com uma avó ao virar da esquina. Fui mimado e apaparicado e tenho inevitavelmente uma influência feminina muito presente na minha vida.

Aos 18 anos achei que queria seguir arquitectura e consegui durante dois anos ter boas notas na Universidade Lusíada, coisa que até então não era propriamente o meu forte. Mas faltava-me alguma coisa e passados dois anos desisti  para me inscrever em Direito na mesma universidade, em parte influenciado pela minha família. Não poderia ter tomado uma opção mais errada. Não durou nem três meses até eu descobrir a minha verdadeira vocação: ser actor.

Contra o cepticismo da minha família enfiei-me numa fila (a fila era grande, mas eu passei à frente sorrateiramente) no antigo teatro Vasco Santana, na feira popular, para conseguir fazer um casting que me valeu o meu primeiro trabalho: a novela “Sonhos Traídos”. Desde então não parei. Seguiu-se a primeira série de “Morangos com Açúcar”, “Mundo Meu”, “Vingança” e depois uma das personagens mais marcantes da minha carreira: o príncipe Fritzenwalden da novela “Floribella”, cujo cabelo oxigenado tento apagar da minha memória, mas que o Globo de Ouro de Melhor Beijo na prateleira lá de casa me relembra que existiu. Até hoje não percebo como um cabelo amarelo pode ser atractivo para uma miúda em busca de um príncipe perfeito… Seguiram-se vários trabalhos em televisão e até uma participaçãozinha em cinema, mas se tiverem interesse em informação mais detalhada espreitem a minha página no IMDB.

Quando conheci a Vera em 2010, durante as gravações de “Espírito Indomável”, estava longe de imaginar o que o futuro me reservava: várias viagens, dois livros, uma casa em comum e um filho – o mais bonito do mundo, claro. Foi em Setembro de 2014 que começou o maior desafio da minha vida, a responsabilidade de ter alguém que depende de nós, que todos os dias nos dá chapadões de coisas boas, nos acorda para a vida e nos ajuda a relativizar tudo. Gostava de dizer que sou um super daddy cool, relaxado e confiante, mas a verdade é que sou um bocado stressado e preocupado. Faz parte.

Viajar é também uma grande paixão e outro ponto em comum com a Vera. O nosso primeiro livro, o “Nós Por Aí”, é um relato e guia da nossa primeira grande viagem juntos, de mochila às costas pelo Sudeste Asiático. Os pins em comum no mapa da cozinha já incluem Cabo Verde, Tailândia, Camboja, Vietnam, Malásia, Austrália, Filipinas, Madagáscar, Moçambique, África do Sul, Marrocos, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Brasil. Já fizemos uma viagem grande com o Mateus e algumas escapadelas, mas que venham muitas muitas mais.

Por agora, a minha viagem é esta – descobrir o que é ser Pai e descobrir as mil e uma maneiras como isso altera a minha vida. E descobrir as mil e uma maneiras como, afinal, não altera assim tanto.